
Um misto de tristeza e euforia tomou conta de mim no momento em que sentei na tradicional poltrona vermelha do cinema, para aguardar o inicio da última estréia de um filme da saga de “Harry Potter”. Assim como os atores cresceram junto com seus personagens, nós fãs também crescemos com eles, foi uma espécie de amizade, cumplicidade. Nostalgicamente ali, naquele mesmo cinema relembrei às vezes em que eu estive lá com minha turma na fila da estréia do primeiro filmes, esperando para saborear mais uma aventura do trio de bruxos. A cada novo livro que era transforma em filme, ficávamos na expectativa do filme e do próximo livro a ser lançado. Em cada novo filme a saga ganha mais força, maior orçamento e melhor qualidade. Mais de dez anos se passaram desde o primeiro livro que li, eu me lembro, estava na sexta série, tinha acabado de conhecer meus amigos, e graças a J.K. Rowling, tomei gosto pela leitura. Hoje eu e meus amigos estamos formados, uma até já teve filhinho que já assiste a saga, e hoje aconteceu à pontuação final dessa Era.
Hoje chegou oficialmente aos cinemas brasileiros a última parte dessa história e ela começa exatamente aonde termina o longa anterior. Esta seqüência favorece o público que conhece o enredo do livro e seus personagens, ou seja, quem não acompanhou os outros filmes, ou não leu o livro vai ficar um pouco perdido. Com mais dinâmico que o anterior, aqui todas as pendência deixada pelo outros filmes são resolvidas de uma maneira bem satisfatória e bem amarradas, deixando grandes momentos em segundo plano, mas mesmo assim a projeção se mantém interessante do começo ao fim. Tendo um tom mais obscuro, dramático, e um pouco pesado e adulto, o diretor David Yates, que dirigiu outros três longas da saga fez a sua leitura dar uma dimensão definitiva para a história.
Usando uma edição mais frenética na hora da edição, o filme ficou mais dinâmico que o anterior na hora de desenrolar as parte importante da narrativa, mas tem vários momentos de tensão também, tudo na medida certa. Tudo isso foi embalado por uma trilha sonora melancólica, composta pelo Francês Alexandre Desplot de “O Discurso do Rei”, que já foi quatro vezes indicado ao Oscar.
Com um visual incrível, que faz aquele universo transparece muito real, as batalhas, os feitiços lançados, as viagens pelas lembranças de alguns personagens, as destruições, tudo sem parecer exagerado. É claro que não faltam algumas pitadinhas de humor e romances, com esses ingredientes, é quase que impossível você tirar os olhos da telona. Com vários destaques na interpretação, o bom entrosamento do trio central é inquestionável.
A direção de arte fez um trabalho impecável, não só com os cenários grandiosos, mas também com os sutis efeitos de iluminação que deixam Hogwarts com um clima frio e cinzento. A equipe teve que recriar os cenários do filme, porque os sets a principio eram feitos de uma camada fina de madeira e cobertos de gesso para dar uma textura de pedra. Mas para esse último filme, um novo set enorme foi construído e as ruínas tridimensionais foram projetadas no chão, recebendo um ar mais solido. Esses cenários da escola sofrem um grande incêndio durante gravação de cena de batalha que deu errado, provocados por uns explosivos que foram usados na cena, os bombeiros demoram cerca de quarenta minutos para apagar as chamas.
Normalmente em uma sessão de cinema, detesto manifestação sem necessidade da platéia, mas hoje tudo era festa, tudo era aceitável, menos é lógico um final desastroso e/ou fraco para essa tão emocionante aventura mágica, e é claro isso não aconteceu. Pretendo voltar mais algumas vezes ao cinema para contemplar esse último episodio. (Clique no Título para ver o trailer!)